Saneamento pode evitar mortes por leptospirose

[ Data: 18/10/2010 ]


O epidemiologista Guilherme de Souza Ribeiro, 33 anos, dedica o que há de mais avançado na medicina para combater um mal cuja solução já existe desde o século XIX: o saneamento básico.

Ele acredita que o fim do esgoto a céu aberto e dos alagamentos, que atingem principalmente os bairros periféricos, poderia reduzir a números insignificantes os casos de leptospirose, doença contraída pela urina contaminada dos ratos e que, entre os meses de janeiro a julho de 2010, já matou pelo menos 13 pessoas em Salvador.

“Ratos têm em todo o mundo. Só que a situação urbana não permite o contágio”, pondera Ribeiro. Para o médico, que pesquisa o assunto desde 2003 no bairro de Pau da Lima, a maioria da população sabe como evitar o contágio, mas a realidade fala mais alto que a precaução.

“É um pouco demagógico falar para a pessoa não entrar em contato com o esgoto, com sua casa alagada”, argumenta o pesquisador.Não é à toa que o aumento do índice pluviométrico acompanha fielmente a evolução do número de casos, segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que comparou os dois indicadores de 1996 a 2009.

“É horrível a casa toda alagada. E tem que cavar o canal para desentupir”, conta a doméstica Crispina Bispo, 40 anos vividos à beira do canal de esgoto que corta a Baixa de São Marcos.

Cerca de 83% da cidade de Salvador têm acesso à água e esgoto encanado, segundo dados da Embasa. Estão sendo investidos R$ 600 milhões para que em 2011 a cobertura alcance 90% da área da cidade, que atualmente possui três milhões de habitantes.

A prefeitura realizou obras de recuperação em 20 canais e de drenagem em outros 22, segundo a Superintendência de Conservação e Obras Públicas do Salvador (Sucop).

Contágio
A cada 100 moradores de Pau da Lima, três são infectados pela bactéria da leptospirose.

É certo que nem todos vão desenvolver a doença, mas de 5% a 10% dos que chegam a apresentar algum tipo de sintoma terão a forma grave da doença, que pode levar a morte em cerca de 10% a 15% desses casos.

Esses dados foram conhecidos a partir da pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da qual o médico Guilherme Ribeiro coordenou a pesquisa de campo. O trabalho começou em 2003, coma identificação dos fatores de risco para o contágio.

Agora, a pesquisa está na sua segunda etapa, que é justamente mensurar o impacto que o saneamento básico pode ter na prevenção à novos casos. Os dados poderão ser obtidos a partir da conclusão das obras de drenagem e esgotamento que estão sendo feitas no bairro, e foram iniciadas em 2008.

“O objetivo é poder pressionar os políticos com base em informações científicas”, confessa Guilherme Ribeiro.

A equipe de pesquisadores da Fiocruz conseguiu, com base no trabalho em Pau da Lima, desenvolver um novo teste para detectar se o paciente contraiu a tuberculose.

Quanto mais cedo é diagnosticada a doença, mais fácil é evitar que ela evolua para um caso grave. O novo teste desenvolvido pela Fiocruz permite que o resultado seja dadoem20 minutos, a partir de amostra de sangue analisada no próprio local.

O diagnóstico é feito com base em exame de sangue laboratorial e a amostra precisa ser enviada ao Laboratório Centra), da Sesab. O novo teste oferece um diagnóstico seguro nos primeiros dias de contágio.

O exame atual é confiável a partir do sétimo dia de contágio.

O trabalho do médico Guilherme Ribeiro em Pau da Lima valeu a indicação para o prêmio nacional de Saúde Pública/ Medicina Preventiva da Fundação Bunge, com cerimônia de entrega no dia 13 de outubro, em São Paulo. Jornal A Tarde
Fonte: Site Assemae
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